quarta-feira, abril 25, 2012

Eu agora dei para desenhar. Que frase estranha "eu, agora, dei para desenhar". Poderia dizer "eu agora, dei, para desenhar. Ou, eu, agora, dei para, desenhar. Muda o sentido? Muda. Mas, certamente, dei para desenhar. Comprei uma mini pastinha com várias divisões e ali dentro coloquei uma caixa de lápis de cor, um lápis preto 6b e vários pedaços de papel cartão. Era o que eu tinha, um papel mais grossinho. Talvez um gráfico diria papel couchê fosco ou brilhante, não sei. Mas o que quero mesmo é ter um papel com textura, algo que eu possa passear os dedos e sentir o seu desenho quase invisível, mas sensível ao toque. Gosto de desenhar casinhas imaginárias, uma em cima da outra, atrás da outra, como enormes favelas, casas comprimidas, coloridas. Gosto de desenhar cenas, principalmente quando fico num restaurante ou num bar. E pessoas, gosto de desenhar pessoas. O problema é encará-las quando estão vendo. Às vezes podem confundir meu olhar insistente com assédio. Olho para "pegar" os detalhes do rosto. Homens de barba dão bons desenhos. Carecas também. Carecas e de barba,então...são meus preferidos. Mas esses homens estão se tornando raros. Meninas de cabelos crespos também são bons de desenhar. Como não estudei desenho, não tenho técnica, vou registrando os detalhes que fazem a diferença na pessoa, aquelas características que fazem a diferença entre um Millôr, por exemplo, e um Clau. O Millôr tinha (ai) um nariz proeminente,o Clau tem (tem?) uma barba grisalha. Então, eu jamais desenharia o Millôr de barba grisalha e nem o Clau com um nariz proeminente.
Ah, as orelhas são um caso à parte. As orelhas são muito importantes. Se são grandes, melhor ainda. Se são de abano então, fica mais fácil de identificar o desenhado. Pintas, manchas, cabelos, sobrancelhas cerradas, arqueadas, e a roupa, fazem parte dos de-ta-lhes. Da roupa, pouco desenho, um decote, um colar, um colarinho.
Um dia desses desenhei o Vinícius com 14 anos e a Cecília, já madura. E minha filha Lu.
Enfim, agora dei pra desenhar porque que poesia não se faz apenas com palavras.

  • A Igualdade é Branca
  • A Fraternidade é Vermelha
  • A Liberdade é Azul
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