segunda-feira, outubro 31, 2011

A propósito....





...que pode uma criatura, entre outras criaturas, senão amar?

Sobre sonhos, fantasias e cruezas, ou seja, o feijão e o sonho.

Eu conversava com uma amiga e ela dizia que só gostava de filmes que mostrassem a realidade, que não gostava de assistir nada que não pudesse ser real. Fiquei pensando nisso porque eu gosto de filmes de ficção científica. Gosto de Guerra nas Estrelas (no tempo em que se ia ao cinema) Matrix, Kill Bill e, especialmente, Blade Runner. Cada um com seu mérito. Vi Guerra nas Estrelas no cinema há trinta e tantos anos. Era tudo realmente fantástico, a tela, o som e a época.Eu usava calças boca de sino laranja brilhante. Pode?
Na tv, já com meu filho pequeno, gostávamos de assistir O Incrível Hulk. Quando o cientista se transformava em Hulk, após um acesso de raiva, meu filho se agarrava em mim e quase nunca via a transformação. Com o tempo outras versões para o cinema apareceram, mas o Hulk nunca mais foi o mesmo. Depois, assisti Blade Runner, também no cinema, o que causou em mim um esforço para compreender todas as nuances do filme. Seria Dick Deckard também um andróide? Por isso, e por gostar mesmo, assisti várias vezes. E a música? Vangelis! Perfeita para cada momento do filme. Hoje revejo Blade Runner e ainda e sempre é meu favorito. E Harrison Ford era um jovem ator. Todas as cenas são muito boas, mas uma das finais é a que mais gosto; quando o replicante o salva da morte e diz, entre outras coisas, que "é difícil viver com medo, assim vivem os escravos" e depois diz "tem coisas que se perdem, como lágrimas na chuva". Enfim, gosto desse filme e para mim ainda é um mistério. Outro filme que gosto muito é AI - Inteligência Artificial. E nesse aparece toda a relação de amor entre mãe e filho. E um questionamento já iniciado lá em Blade Runner; pode o ser humano (o humano)usar e abusar da criação científica, laboratorial, geneticista? Existe realmente um mérito e uma ética nisso? Reflexões a fazer. Cada vez que assisto A.I. choro!

Depois vieram Harry Potter e o Senhor dos Aneis. Uma ficção para adolescentes.Sendo assim ou não , vendeu-se milhares de livros, o que é bom. E agora pouco a saga dos lobisomens e vampiros, filmes mais superficiais e que resisti a ver, mas acabei me rendendo e confesso que gostei.

E pensando em filmes, sou levada a pensar em ficção literária. Antes de ser transformado em filme, um texto, um roteiro é escrita, é palavra. E aí, percebo que também sempre gostei de ficção também na literatura. Admirável mundo novo,do Aldous Huxley. Eram os deuses astronautas? de Erich von Däniken. E "A revolução dos bichos", do George Orwel. Sei que é uma metáfora socialista, não exatamente uma ficção e que, sem muito esforço, podemos identificar o porco, o cachorro, a galinha, aqui mesmo perto de nós, no político ao lado, quem sabe.

E a literatura fantástica do Saramago (A Caverna) e do meu preferido, Gabriel Garcia Márquez, com seus Cem anos de solidão, O amor nos tempos do cólera, Contos de mamãe grande, Crônica de uma morte anunciada e muitos outros? Contos fantásticos maravilhosos.
E aí, retornando muitos,muitos anos, lembro de O chapeuzinho vermelho, Os três porquinhos, Os sete cabritinhos. São histórias fantásticas, não podem existir, não fazem parte da realidade ou do realizável, mas são extremamente importantes para a criança, assim como a fantasia é importante para o adulto.

E o que disse à minha amiga foi que a fantasia, o sonho são necessários a nossa existência. O que seria de nós, humanos, se tudo fosse absolutamente real, físico, material, frio? O que seria de nós se as histórias, os filmes, as imagens, fossem apenas aquelas que são cognoscíveis, viáveis, pertinentes, possíveis? O que seria de nós se não fosse o sonho, a fantasia? Enlouqueceríamos, certamente. Precisamos do sonho, da esperança, da imaginação.
Pelo menos eu, preciso.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Amar (o meu)

Sempre gostei desse poema do Drummond; Amar.

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?"

Quando ouço o primeiro verso, todos os outros se desencadeiam e se derramam aos meus ouvidos e ao meu coração. É como um ar que atiça meus sentimentos, minhas dores, meus amores. Pelos meus filhos, pelas pessoas a quem amo, em quem penso, de quem sinto saudades. Pelos que foram e pelos que estão. Amor por mim, pela menina que fui um dia e que há tanto tempo me abandonou.

Que pode uma criatura entre outras criaturas senão amar?
Amar e malamar, amar e desamar, amar e perder, amar e sofrer?
E sempre, sempre e sempre amar.

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, outubro 26, 2011

A mediadora




A Lu mediando obras de arte no Santander Cultural/Bienal do Mercosul

Em respeito ao meu único e fiel leitor

O blog continua (quase) o mesmo.

Preguiça de Mulher

Lembrei de uma massa que minha mãe fazia quando éramos pequenos e que se chamava "Preguiça de Mulher". Era uma massa feita com farinha, ovos e água, eu acho. Chamava-se assim porque era simples de fazer, e rápida. Era mole, pegava-se às colheradas que iam sendo colocadas diretamente na água quente. Ficava pronto rápido, por isso o nome de preguiça de mulher. Era um prato simples, acompanhado de molho, normalmente de tomate e cebolas, que também é fácil e rápido de fazer. Em todo caso, a "preguiça da mulher" resultava em um prato saboroso que devorávamos com prazer.

Hoje não se come mais essa massa, come-se Barilla, que cozinha em 3 ou 4 minutos, al dente. É tão gostosa quanto a massa que minha mãe fazia às pressas, com poucos ingredientes, mas não tem aquele gosto de infância.

terça-feira, outubro 25, 2011

Frescura de Mulher






Depois de muito andar com o João e a Denise pela beira da praia e de termos sidos "salvos" por um bugueiro, enterrei, literalmente, os pés numa mistura de areia, barro e detritos de peixes e caranguejos. É o que se chama de "terra fértil" ou melhor, água fértil, onde pululam milhares de seres vivos. Confesso que meu desprendimento pelas banalidades humanas como pés limpos se desfizeram. Não sou tão agreste ou tão selvagem assim. Chegamos a uma pousada e consegui lavar os pés, tirar o barro, o que me deixou bem mais confortável. Frescura de mulher? Pode ser, assumo.

No Farol, em Galinhos

  • A Igualdade é Branca
  • A Fraternidade é Vermelha
  • A Liberdade é Azul
  • Blade Runner