sexta-feira, junho 28, 2013

Um samba canção

O encontro de dois seres tristes...pode  render um bom samba canção.

quarta-feira, junho 26, 2013

Espera


Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.


Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.


Eugénio de Andrade

Espera, in As Mãos e os Frutos




segunda-feira, junho 24, 2013

domingo, junho 23, 2013

Voo breve


Algumas pessoas surgem em nossa vida como o voo leve e veloz de um beija flor, como o cair de uma pétala de rosa ou a última folha de plátano ao final do outono. Essas pessoas geralmente trazem luz, ar fresco, trazem melodia, trazem felicidade. Essas pessoas nos trazem poesia e nem imaginam o quão grandiosas e belas são. Mas assim como vêm, elas vão, desaparecem deixando apenas a lembrança de algo maravilhoso, que poucas vezes experimentamos.

sexta-feira, junho 21, 2013

Eu escrevo

Quando eu casei, em 1980,  me sentia uma alienada, e hoje ainda creio que era. Gostava de novela, assistia noticiário na tv (hoje sei que é tendencioso) e não entendia nada de política. Meu marido, ao contrário de mim, e esse também foi um dos motivos que me fez apaixonar por ele, entendia e era militante do pc do b. PC do B. Partido Comunista do Brasil. E ia a reuniões, participava do sindicato e marcava presença em frente às fábricas para incentivar os operários a entrarem em greve. Até saiu no jornal numa ocasião. Não de morou muito perdeu o emprego. E com isso a estabilidade, a carteira assinada, um bom salário. E não conseguiu mais emprego. Seu pai morreu, nos mudamos para Santa Cruz, ele passou a trabalhar para os irmãos e tentar e tentar e tentar ser empresário e dono do seu próprio nariz. Continuou politizado, entendendo das coisas. O país passou por muitas mudanças, muitos períodos críticos na economia, e nós passamos por muitas, muitas dificuldades. No final de nosso casamento ele já não era tão radical, já tinha mudado a sua postura e o seu desejo de mudar o mundo. E eu, afinal de contas, me tornei uma pessoa mais crítica, menos alienada, acredito menos em papai noel. Hoje, décadas depois, meus filhos estão participando de manifestações por um país melhor, sem corrupção, com educação de qualidade. E muitas outras coisas. Eles cresceram num país difícil. Meu marido nunca conseguiu ser o empresário que queria ter sido. Os impostos que pagava como micro empresário comiam toda a sua possibilidade de lucro e crescimento. Ele foi um heroi. Todos nós, brasileiros, fomos. As gurias estão em Porto Alegre e são muito, muito parecidas com o pai delas. O Lucas também. E eu.....? Escrevo sobre isso.

segunda-feira, junho 17, 2013

Coro em Cena

O dia 12 de junho, "dia dos namorados" não poderia ser uma data mais apropriada para assistir ao Coro em Cena, grupo criado e organizado por Lucas Brolese, no espaço de Bach, em Lajeado. Eu havia assistido aos ensaios e feito algumas fotos do grupo, ocasiões em que seguidamente me emocionei. O Lucas Brolese & Vocal em Cena foi formado em março deste ano e a preparação vocal, regência e direção musical do espetáculo é feita por Brolese.  A apresentação foi feita pelo poeta Alexandre Zweiss, um homem grande, de bela voz.  A música Vilarejo, da Marisa Monte, surpreendeu a todos. Eu conheci essa música nos ensaios e hoje não canso de assobiá-la, o que é irrelevante.

Vilarejo           

Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

A segunda música cantada foi O Pássaro,( Sá e Guarabyra), depois Correnteza,( Tom Jobim). A música Carinhoso, (Pixinguinha e João de Barro), iniciou com os homens batendo no peito ritmadamente, imitando (se é que é possível) as batidas do coração. Depois, João e Maria, (Sivuca e Chico Buarque), um dueto de Julia Mattielo e Lucas. Barra da Lagoa, (Orlando de Mello) seguida de Vira Virou ( Kledir Ramil(). La Valse d' Amelie Poulain (Yann Tiersen) foi uma interpretação à parte, extremamente sensibilizada e emocionante pela interpretação de Pedro, um menino cego que dedilhou a gaita ponto e trouxe lágrimas aos olhos das pessoas. Dorfmusik, do folclore alemão, também foi um espetáculo à parte pela encenação da música. ´Homens sentados ao redor da mesa "bebendo" chope em canecos,mulheres cantando e dançando e um casal (Neusa e Decio) dançando trajados à rigor tipicamente alemão.Mas foi em Deh vieni alla finestra (Mozart) que o espetáculo chegou ao seu ápice. O Lucas cantou a peça ao som do violão dedilhado por ele e a Fernanda encenou uma janela e a cortina esvoaçante. Ao terminar a apresentação ela se retirava quando ele a chamou de volta e...aproveitando o momento, a pediu em casamento!Ela e o restante das pessoas ficaram muito surpresos.
Aos olhos de uma espectadora (quase) comum, pois eu havia acompanhado alguns ensaios, a apresentação foi maravilhosa, emocionante. Aos olhos do Lucas (regente crítico), vários aspectos podem ser melhorados. Enfim, o grupo está formado,novos encontros foram combinados e eu farei parte do grupo como contralto e não mais como fotógrafa.

"Há um vilarejo ali....".....
 

As mãos de Emmanuele Baldini

                                                                                            Mãos como pássaros inquietos no ar. Assim as  mãos de Emmanuele Baldini dançaram inquietas na apresentação da OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - no dia 11 de junho de 2013. Uma data histórica para portoalegrenses e para mim. No Programa.....(continua)                                                                                                                                                                                                     



Testamento da Mulher Suspensa

Eis o que vos deixo
Um leve gosto
De renascer lembrada.

E um falso desejo de ser esquecida.

Que eu virei
Buscar a espuma da onda
que ficou para sempre por quebrar.

Beleza não me bastou:
o que quis ser
foram cetins de fogo
pétalas de cinza depois do abraço.

Nem flor invejei:
O que mais ilumina
vem de um oceano escuro.

Esperanças tive:
todas naufragaram
ante cansaços e remoros.

Procurei ilhas e mares:
só havia viagens,
travessia de água
nos olhos de quem amei.

Num mundo com remédios parcos
não clamei bravuras.
Injusto é viver
em perecível ser.

Menina,
aprendi a desenrolar tapetes
em rasos pátios voadores,
varandas maiores que o mundo
onde o tempo à nossa mão vinha beber.

Meus pequenos dedos
rasgaram céus,
mas o ensejo era largo:
em mim secaram
lembranças de um mar antigo.

Assim,
tudo o que sou
já fui
na criança que sonhou ser tudo.

Meus lutos, sem emenda, carrego:
viuvez de mulher
não vem de marido.

Vem do amor não mais sonhado.

Com a fragilidade de um riso
enfrentei ruínas e derrotas
e apenas a vida, calada, me calou.

Tudo falei com meus amentes.
Perante o amor, porém, não tive palavra.

O que a vida me restou:
pegadas alheias sob meus pés molhados.

Viver sabe quem ainda vai viver.

Deixo-me,
mulher que quase foi,
à mulher que nunca fui.


Mia Couto, em Tradutor de Chuvas.

domingo, junho 09, 2013

Medo

Te espero há tanto tempo, tanto, tanto tempo que tenho medo de quando, finalmente, chegares, eu não te reconheça.

  • A Igualdade é Branca
  • A Fraternidade é Vermelha
  • A Liberdade é Azul
  • Blade Runner